O mundo está à beira de uma das maiores transferências de riqueza da história, um fenômeno que redefine o futuro das famílias e economias globais.
No centro desse movimento, o Brasil se destaca como protagonista, com projeções que colocam o país em um papel crucial nos próximos anos.
Estima-se que US$ 9 trilhões serão transferidos intergeracionalmente ou dentro de famílias brasileiras nas próximas duas a três décadas.
Esse volume colossal não é apenas um número, mas uma chamada à ação para quem busca proteger e expandir seu patrimônio.
Ao entender as dinâmicas por trás dessa onda, podemos transformar heranças em legados significativos e sustentáveis.
A Magnitude da Transferência Global de Riqueza
Globalmente, a UBS estima que a transferência total de riqueza alcance US$ 83 trilhões em um período de 20 a 25 anos.
Desse total, US$ 74 trilhões são verticais, movendo-se entre gerações, enquanto US$ 9 trilhões são horizontais, como em casos de viúvos.
Outras projeções indicam valores ainda mais expressivos, com US$ 15 trilhões globais até 2030 e US$ 68 trilhões até 2040.
Os Estados Unidos lideram esse cenário com US$ 29 trilhões, seguidos pelo Brasil e pela China com US$ 5,6 trilhões.
Esses números revelam uma oportunidade única para planejamento, especialmente em nações emergentes como o Brasil.
O Contexto Brasileiro: Riqueza em Movimento
No Brasil, há aproximadamente 433 mil milionários, definidos como aqueles com patrimônio acima de US$ 1 milhão.
Esse grupo cresce a uma taxa anual de 1,6%, com a riqueza média por adulto aumentando 6,4% em termos reais.
A população de milionários "comuns" (com US$ 1 a 5 milhões) quadruplicou desde 2000, somando US$ 107 trilhões globais.
Isso contrasta com os ultra-ricos, que detêm US$ 119 trilhões, mas a base expandida sinaliza uma democratização relativa da riqueza.
Para as famílias brasileiras, isso significa que mais pessoas estão entrando no radar da sucessão patrimonial.
- Envelhecimento populacional: Uma grande parcela da população acima de 75 anos impulsiona as transferências, com 70% da riqueza familiar em imóveis.
- Crescimento econômico histórico: O PIB brasileiro saltou de US$ 197 bilhões para US$ 2,174 trilhões, criando uma base sólida para heranças.
- Explosão de Everyday Millionaires: Conhecidos como EMILLIs, esses indivíduos, muitos empresários e profissionais, focam em proteção e governança familiar.
- Papel crescente das mulheres: Com maior expectativa de vida e participação ativa, as mulheres estão se tornando centrais na gestão patrimonial.
Desafios da Desigualdade e Concentração
O Brasil é frequentemente citado como campeão de desigualdade entre 56 países analisados, com um índice Gini elevado comparável ao da Rússia.
Dados recentes mostram que o 1% mais rico detém 37,3% da riqueza declarada no Imposto de Renda da Pessoa Física.
Os 10% mais ricos concentram 64,2% da renda e riqueza, enquanto os 5% mais ricos possuem 54,7% da riqueza total.
A composição patrimonial é dominada por bens financeiros (50,2%) e imóveis (36,7%), com ativos financeiros mais concentrados nos estratos superiores.
Apesar disso, o índice Gini da renda domiciliar per capita caiu de 61,5 em 1995 para 50,4 em 2024, indicando algum progresso.
A renda média subiu 69,2%, de R$ 1.191 para R$ 2.015, e a pobreza extrema reduziu de 25% para 4,8%.
No entanto, 10% das famílias ainda detêm 70% da riqueza nacional, segundo o IPEA, destacando a concentração persistente.
Planejamento Prático para uma Sucessão Eficaz
Para navegar nesse cenário complexo, é essencial adotar estratégias de planejamento que vão além da simples distribuição de bens.
Comece com uma avaliação completa do patrimônio, incluindo imóveis, investimentos e dívidas, para entender o que será transmitido.
Envolva todos os membros da família em conversas abertas sobre valores e objetivos, reduzindo o risco de disputas futuras.
Considere a criação de estruturas legais, como trusts ou holding familiar, para proteger ativos e garantir uma transição suave.
- Estabeleça uma governança familiar clara: Defina papéis e responsabilidades para evitar conflitos intergeracionais.
- Diversifique os ativos além de imóveis: Explore investimentos em educação, saúde e empreendedorismo para um legado mais resiliente.
- Inclua mulheres e jovens no processo: Promova a igualdade de gênero e prepare a próxima geração para a gestão.
- Monitore as tendências tributárias: Esteja atento a mudanças nas políticas de IR, que podem afetar a eficiência da transferência.
- Invista em assessoria profissional: Consulte advogados, contadores e planejadores financeiros para estruturar a sucessão.
Tendências Emergentes e Oportunidades de Legado
As taxas de juros elevadas têm sustentado o crescimento patrimonial, acelerando o surgimento de novos milionários.
Globalmente, o número de milionários passou de 13,27 milhões em 2000 para cerca de 52 milhões hoje, um aumento significativo.
No Brasil, projeta-se que R$ 1 trilhão seja herdado em 10 anos, reforçando a urgência do planejamento.
As políticas de tributação, embora com progressividade enfraquecida no topo, oferecem espaço para otimizações legais.
As desigualdades raciais e de gênero persistem, mas também abrem portas para iniciativas inclusivas no legado familiar.
- Transição para gestão profissional: Muitas famílias estão terceirizando a administração de ativos para especialistas.
- Foco em sustentabilidade e impacto social: Legados estão se tornando mais alinhados com causas ambientais e comunitárias.
- Uso de tecnologia na sucessão: Ferramentas digitais facilitam o monitoramento e a transparência nos processos.
- Crescimento dos ativos financeiros: Com a diversificação, investimentos em bolsa e fundos ganham importância.
Conclusão: Além da Herança, um Legado Duradouro
Construir um legado não se trata apenas de transferir riqueza, mas de criar um impacto positivo que perdure pelas gerações.
No Brasil, com sua posição destacada na transferência global de US$ 9 trilhões, as famílias têm uma chance única de redefinir seu futuro.
Ao enfrentar os desafios da desigualdade e adotar práticas inovadoras, é possível transformar heranças em instrumentos de prosperidade coletiva.
Lembre-se de que o planejamento começa hoje, com conversas honestas e ações estratégicas que honrem tanto o passado quanto o amanhã.
Com dedicação e visão, cada família pode escrever sua própria história de sucesso e legado.
Referências
- https://fastcompanybrasil.com/money/com-us-9-tri-brasil-deve-ser-o-2o-pais-com-maior-fortuna-a-ser-herdada/
- https://braziljournal.com/brands/o-brasil-entrou-no-mapa-da-riqueza-global-e-comeca-a-viver-a-era-da-sucessao/
- https://www.revistari.com.br/290/2339
- https://istoedinheiro.com.br/com-emprego-e-transferencia-de-renda-rendimento-sobe-70-e-pobreza-cai-ao-piso-em-30-anos
- https://fenati.org.br/1-topo-renda-brasil-concentra-37-riqueza-total/
- https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/1-mais-rico-detem-37-da-riqueza-brasileira-segundo-relatorio-da-fazenda/
- https://cps.fgv.br/riqueza
- https://jornal.unicamp.br/artigo/2025/05/29/um-pais-economicamente-desigual-e-injusto-a-escandalosa-distribuicao-da-riqueza-no-brasil/







