Iniciar a trajetória financeira cedo é fundamental para conquistar autonomia e segurança no futuro. Este guia detalhado apresenta programas, dicas e estratégias para que jovens possam acessar crédito de forma consciente e responsável.
Programas de Crédito Específicos para Jovens
Existem iniciativas do governo e de instituições financeiras voltadas para estimular empreendedores e produtores rurais jovens. Conhecer as opções disponíveis é o primeiro passo para planejar projetos e investimentos com o pé direito.
Pronaf Jovem
- Valor máximo de R$ 35 mil por cliente, com até três financiamentos por pessoa
- Taxa de juros prefixada de até 3% ao ano, garantindo previsibilidade no orçamento
- Participação do BNDES de até 100% do valor dos itens financiáveis
- Prazo de até 10 anos, incluindo carência inicial de até três anos
- Concessão individual ou coletiva, com negociação flexível de garantias
Programa Acredita
- Desenrola Pequenos Negócios: renegociação de dívidas de MEIs e microempresas com descontos de até 95%
- ProCred 360: crédito para MEIs e microempresas com faturamento de até R$ 360 mil
- Microcrédito orientado: destinado a inscritos no CadÚnico, com acompanhamento técnico
- Renegociação de dívidas do Pronampe e linhas com foco em sustentabilidade imobiliária
Crédito para Menores de Idade
No Brasil, menores de 18 anos não podem ter cartão de crédito em seu próprio CPF. Ainda assim, existem soluções para introduzir responsabilidades financeiras de forma segura:
1. Cartões adicionais vinculados ao CPF dos pais ou responsáveis, que permitem estabelecer limites de gastos.
2. Contas digitais para jovens de 6 a 17 anos oferecidas por fintechs como Nubank, com cartão de débito e acesso a ferramentas de poupança, as chamadas "Caixinhas".
A Nubank permite que jovens de 16 e 17 anos tenham um cartão de crédito adicional, cujo limite é pré-definido pelos pais, com controle integral pelo aplicativo. Essa modalidade estimula o aprendizado prático de finanças desde cedo.
Cenário de Endividamento no Brasil
Os dados de agosto de 2025 revelam uma realidade preocupante: 71,7 milhões de pessoas em situação de inadimplência, um aumento de 9,2% em relação ao ano anterior. Esse crescimento aponta para um uso incorreto do crédito, que acaba sendo utilizado como complemento de renda para despesas do dia a dia.
O alto custo do crédito, especialmente em modalidades de curto prazo como cheque especial e rotativo do cartão, pressiona o orçamento familiar. Muitos consumidores desconhecem o montante real de juros e tarifas que incidem sobre cada operação.
Além disso, a falta de educação financeira sustenta esse ciclo de endividamento, deixando os jovens vulneráveis a decisões impulsivas e ao uso inadequado de recursos.
Educação Financeira como Solução Preventiva
Estudos de longo prazo do Banco Central comprovam que jovens expostos à educação financeira se tornam adultos com menor índice de endividamento. Programas escolares e iniciativas comunitárias têm se multiplicado para atender essa demanda.
Atualmente, tramitam no Senado três projetos de lei para incorporar conteúdos de finanças pessoais na educação básica. Veja um resumo desses projetos:
Na prática, o número de estudantes matriculados em disciplinas eletivas de educação financeira passou de 142 mil em 2024 para 175 mil em 2025. Parcerias com instituições como o Instituto Ânima têm qualificado professores de Matemática para lecionar esses conteúdos.
Arthur Rufatto, 20 anos, compartilha sua experiência: "A educação financeira me ensinou a controlar meus gastos e planejar meu futuro com mais segurança."
Dicas Práticas para Jovens e Pais
Para transformar crédito em uma ferramenta de aprendizado e evitar armadilhas, adote as seguintes práticas cotidianas:
- Conhecer e monitorar os hábitos de consumo para evitar gastos impulsivos
- Configurar alertas no celular para cada compra, promovendo controle e planejamento do orçamento
- Exigir prestação de contas semanal dos gastos realizados com cartões adicionais
- Estabelecer metas financeiras claras, como economizar para estudos, viagens ou investimentos
- Entender o crédito como instrumento de autonomia, e não como complemento de renda
- Planejar o pagamento integral da fatura para evitar juros de rotativo e cheque especial
Ao adotar essas medidas, jovens desenvolvem mais do que hábitos saudáveis de consumo: constroem as bases para uma vida financeira equilibrada e resistente a imprevistos.
Considerações Finais
O acesso a crédito é um passo importante na jornada de independência dos jovens. Com informações adequadas, educação financeira e escolhas conscientes, é possível aproveitar as oportunidades oferecidas por programas como Pronaf Jovem e Acredita, além de opções de cartões adicionais.
Mais do que produzir números no orçamento, o verdadeiro objetivo é cultivar responsabilidade financeira desde a adolescência, preparando-se para realizar sonhos, investir em projetos profissionais e alcançar estabilidade no longo prazo. Comece hoje a planejar, aprender e agir com inteligência, e colha os frutos de uma vida financeira bem construída.
Referências
- http://www.bndes.gov.br/wps/portal/site/home/financiamento/produto/pronaf-jovem
- https://forbes.com.br/forbes-money/2025/09/adeptos-ao-pix-para-troca-de-mensagens-publico-menor-de-idade-podera-ter-cartao-de-credito-proprio-no-nubank/
- https://www.gov.br/memp/pt-br/programa-acredita
- https://www12.senado.leg.br/noticias/infomaterias/2025/09/educacao-financeira-prevencao-de-dividas-comeca-na-escola
- https://blog.nubank.com.br/cartao-de-credito-menor-de-18-anos/
- https://www.ico.es







