Ganhando Mais, Gastando Menos: A Ciência da Segurança

Ganhando Mais, Gastando Menos: A Ciência da Segurança

Vivemos um momento em que a segurança pública é uma preocupação constante para milhões de brasileiros. A partir da percepção popular e dos dados oficiais, podemos traçar uma rota para reduzir custos da criminalidade e minimizar gastos com segurança sem abrir mão da eficácia. Esse equilíbrio envolve estudos econômicos, estatísticas precisas e um olhar atento às particularidades regionais.

Ao analisar o cenário nacional, percebe-se que a imensa maioria das iniciativas ainda carece de um embasamento científico sólido. A adoção de práticas baseadas em indicadores e evidências empíricas pode transformar a gestão da segurança, promovendo ganhando mais via eficiência e preservando recursos públicos e privados.

Percepção Pública da Insegurança

Segundo levantamento Datafolha com 2.002 pessoas em 113 municípios, 16% dos brasileiros apontam a segurança como o principal problema do país, atrás apenas da saúde. Essa inversão em relação a abril evidencia a mobilização crescente da população diante da violência cotidiana.

Regionalmente, o Sudeste lidera com 19% de preocupação, seguido por Nordeste, Centro-Oeste e Norte com 14%, e Sul com 10%. Entre os maiores de 60 anos, 21% mencionam insegurança, enquanto na faixa de 16 a 24 anos esse índice é de apenas 5%.

Paralelamente, os golpes digitais atingiram 56 milhões de brasileiros, gerando um prejuízo R$ 111,9 bilhões em um ano. Em 2024 ocorreram 2.166.552 estelionatos no país, crescimento de 407% em relação a 2018.

Custos Econômicos do Crime

Um estudo de 2014 calculou que a violência custou US$ 75.894 milhões ao Brasil, o equivalente a 3,14% do PIB. Em Paridade de Poder de Compra esse valor chega a US$ 103.269 milhões, representando 53% do custo total de crime na América Latina e Caribe.

Essa avaliação demonstra o custo econômico do crime e ressalta a importância de priorizar investimentos com base em evidências. A divisão desses custos revela onde o país pode aplicar a ciência econômica da segurança para otimizar recursos.

O Brasil destaca-se na região pelo maior custo nominal de homicídios, contribuindo com 95,1% dos casos na ALC. Essa realidade exige uma reavaliação de políticas para reduzir gastos sem comprometer a segurança.

Contraste entre Homicídios e Outros Crimes

Os homicídios dolosos apresentaram queda, passando de 39 mil no início de 2022 para 35 mil no fim de 2024, menor patamar registrado. No entanto, indicadores relacionados à violência sexual e de gênero revelam um quadro preocupante.

Feminicídios cresceram 0,7%, tentativas de feminicídio subiram 19% e estupros registraram 87.545 vítimas em 2024, número recorde no país. As mortes sem causa clara passaram de 9 mil em 2022 para cerca de 15 mil em 2024.

O sistema prisional também reflete o aumento de outros crimes: a população carcerária saltou de 300 mil em 2000 para 811 mil em 2022, colocando o Brasil em terceiro lugar mundial em número absoluto e com taxa de 392 detentos por 100 mil habitantes.

Eficiência Regional e Indicadores de Competitividade

O ranking do Centro de Liderança Pública avalia oito indicadores, como déficit carcerário, presos sem condenação e mortes não esclarecidas. Estados como São Paulo e Santa Catarina lideram, apresentando desempenho destacado em segurança pessoal e justiça criminal.

No entanto, persistem desafios em segurança patrimonial e ocupação carcerária. A alta variabilidade nos gastos estaduais mostra que ainda há espaço para otimizar investimentos e compartilhar boas práticas entre as regiões.

Caminhos para Ganhar Mais e Gastar Menos

Para avançar rumo a um modelo mais eficiente, é fundamental articular ações preventivas com base em dados. A priorização de tecnologia, inteligência e capacitação pode reduzir custos e aumentar a eficácia das operações.

  • Investir em inteligência de dados com foco em prevenção de crimes
  • Otimizar recursos policiais e judiciais por meio de estudos regionais
  • Fortalecer parcerias público-privadas para financiamentos e tecnologia
  • Implementar programas de educação e inclusão social em áreas vulneráveis

Essas iniciativas promovem ganhar mais via eficiência, reduzindo a necessidade de gastos excessivos com prisões, seguros e atendimentos emergenciais. O resultado é um ciclo virtuoso que beneficia toda a sociedade.

Ao combinar análise econômica, metodologia científica e gestão estratégica, o Brasil pode reduzir a insegurança sem sacrificar recursos valiosos. Trata-se de uma abordagem inovadora e baseada em dados para enfrentar o desafio da segurança pública.

Mais do que cifras e estatísticas, o sucesso desse modelo depende da colaboração entre governo, setor privado e sociedade civil. A troca de experiências e a avaliação contínua de resultados garantirão que os investimentos sejam direcionados onde realmente fazem a diferença.

Em suma, a ciência da segurança mostra que é possível minimizar gastos com segurança enquanto se preserva a integridade e o bem-estar das pessoas. Esse é o caminho para um país mais próspero e seguro, onde cada real investido reverte em valor social e econômico.

Bruno Anderson

Sobre o Autor: Bruno Anderson

Bruno Anderson é colaborador do LucroMais, produzindo conteúdos voltados ao crescimento financeiro, análise de decisões econômicas e estratégias para aumentar a eficiência do dinheiro.