Investindo em Esportes: Além do Campo, na Bolsa de Valores

Investindo em Esportes: Além do Campo, na Bolsa de Valores

O universo esportivo deixou de ser apenas palco de vitórias em campo para se transformar em um verdadeiro ativo financeiro global. Com oportunidades que vão da bolsa de valores à tecnologia de ponta, o esporte mostra-se um terreno fértil para investidores dispostos a inovar.

O Esporte como Ativo Financeiro Global

Se o esporte fosse um país, ocuparia a sétima ou oitava posição entre as maiores economias do mundo. Esse dado reflete a magnitude econômica do setor, que movimenta bilhões anualmente e atrai atenção de fundos e CVCs.

Profissionalização e tecnologia caminham lado a lado na transformação desse mercado. Grandes eventos, desempenho de atletas e engajamento de fãs representam fontes de receita diversificadas, incluindo direitos de transmissão, patrocínios e venda de produtos licenciados.

O Surgimento das Sportechs e Startups Brasileiras

Nos últimos anos, o Brasil viu nascer um ecossistema de sportechs voltadas para inovação em performance, engajamento e educação esportiva. A trajetória passou por três ciclos de venture capital:

  • 2000–2010: estruturação inicial e burocracia intensa.
  • 2010–2020: surgimento de unicórnios e hubs de inovação.
  • 2020–2030: cultura empreendedora madura e boom a partir de 2025.

Exemplos de destaque incluem a Esporte Educa, premiada em 2023 e referência em educação esportiva, ao lado de fundos especializados como Sports Angels e OTF Capital, prontos para acelerar o crescimento dessas empresas.

Clubes na Bolsa e o Impacto das SAFs

No Brasil, nenhum clube realizou IPO na B3 até 2026. No entanto, as Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) têm pavimentado o caminho para o potencial de crescimento expressivo desses ativos.

O Botafogo é um case emblemático: com um aporte de R$ 1 bilhão, viu seu valuation atingir R$ 1,85 bilhão em 2024, um salto de 210% em três anos. Esse movimento inspira outras agremiações a buscar governança profissional e transparência.

Investimentos Diretos em Atletas e Fundos Internacionais

Outra frente de inovação é o aporte direto em atletas por meio de fundos internacionais. A Hurst Capital, por exemplo, oferece CRs lastreados em contratos de performance de nomes como Tiger Woods, Marcelo e Lando Norris.

Esses fundos exigem um aporte mínimo de R$ 10 mil, tornando acessível ao investidor pessoa física participar desse mercado antes restrito a grandes gestoras. Os riscos, como a variabilidade de performance e questões contratuais, devem ser analisados com cautela.

Tendências Futuras e Perspectivas de Crescimento

Com mais de 111 fundos globais dedicados a sportechs e aportes superiores a US$ 4 bilhões, o setor deve consolidar sua importância até 2030. A digitalização e o envolvimento de capitais estrangeiros reforçam essa tendência.

Na B3, o segmento "Atividades Esportivas" agrupa empresas de turismo, lazer e serviços esportivos, além de BDRs internacionais cotadas em ações de gigantes norte-americanas. O crescimento de 12,56% do Ibovespa em janeiro de 2026 reforça o apetite por ativos de risco.

Riscos e Oportunidades

Por mais promissor que seja, o investimento em esportes envolve volatilidade. Ações de clubes podem oscilar entre 2% e 3% ao dia, exigindo governança e transparência rigorosas para aprovação de futuros IPOs pela CVM.

Ao mesmo tempo, oportunidades se ampliam além da bolsa: apostas esportivas crescentes, educação esportiva digital e soluções de performance formam um portfólio diversificado e resiliente.

Conclusão: Planejamento e Paixão em Equilíbrio

Investir em esportes é unir paixão e estratégia. Com bases sólidas em dados e gestão, é possível colher resultados expressivos e participar ativamente da profissionalização de uma das maiores economias do mundo.

Seja por meio de SAFs, sportechs ou fundos de atletas, o momento é agora. Analise riscos, diversifique seu portfólio e prepare-se para surfar essa onda de inovação que vai muito além do campo de jogo.

Bruno Anderson

Sobre o Autor: Bruno Anderson

Bruno Anderson é colaborador do LucroMais, produzindo conteúdos voltados ao crescimento financeiro, análise de decisões econômicas e estratégias para aumentar a eficiência do dinheiro.