Em um mundo cada vez mais conectado, muitas organizações acreditam que o investimento em segurança cibernética está limitado à aquisição de ferramentas avançadas e à alocação de grandes orçamentos. No entanto, existe um paradoxo que desafia essa visão simplista.
Descubra neste artigo por que o verdadeiro valor da segurança vai muito além do aspecto financeiro e tecnológico, e como torná-la um diferencial competitivo.
Definição Central do Paradoxo
O paradoxo da proteção revela que, mesmo com sistemas de ponta e compliance rigoroso, empresas continuam vulneráveis. Estudos mostram que 75% das grandes corporações investiram pesada e consistentemente em segurança nos últimos cinco anos, mas ainda enfrentam incidentes críticos.
Isso demonstra que segurança não é apenas sobre tecnologia ou dinheiro. A essência da proteção está enraizada na cultura e nos processos internos.
1. O Mito do Orçamento Como Solução Única
Durante décadas, lideranças acreditaram que aumentar o orçamento automaticamente resolveria as fragilidades. No entanto, sem o alinhamento entre distintas áreas e práticas, esse investimento se perde.
Em um grande banco, milhões foram gastos em autenticação multifator, mas clientes e colaboradores rejeitaram o processo por achá-lo complexo. Muitos passaram a usar métodos alternativos, menos seguros, anulando completamente o retorno financeiro.
É urgente reforçar que processos, comportamento humano e estratégia corporativa devem caminhar juntos para que cada centavo aplicado em segurança gere resultados tangíveis.
2. Segurança Como Obstáculo, Não Como Facilitador
Muitas organizações ainda veem as políticas de segurança como entraves à inovação e à produtividade. Esse mindset cria barreiras internas, principalmente nos times de desenvolvimento e negócios.
No setor industrial, por exemplo, a segurança frequentemente é tratada como protocolo burocrático, e não como valor essencial. Os principais fatores de resistência incluem:
- Falta de cultura de segurança
- Pressão intensa por produtividade
- Treinamento inadequado
- Ausência de fiscalização e padronização
Sem derrubar esses muros, qualquer nova política será recebida com desconfiança e reticência.
3. Falta de Envolvimento da Alta Gestão
É comum delegar a segurança exclusivamente ao departamento de TI. Porém, essa visão compartimentaliza o risco e reduz o impacto das ações.
A diretoria deve ter participação ativa em discussões, definições de orçamento e monitoramento de métricas. Um exemplo marcante ocorreu em uma empresa de tecnologia, que sofreu um vazamento grave por ignorar alertas da equipe de segurança. Se o board tivesse priorizado o tema, o incidente poderia ter sido evitado.
Portanto, o risco cibernético deve ser responsabilidade do board da empresa, garantindo maior visibilidade e prioridade estratégica.
O Fator Humano: O Maior Risco
Relatórios globais indicam que 74% das violações envolvem o elemento humano, seja por erro, engenharia social ou má gestão de credenciais.
Bruce Schneier alerta que a combinação de tecnologia robusta e usuários bem treinados é a base de qualquer programa de segurança eficiente. Ainda assim, muitas empresas negligenciam o treinamento contínuo, criando uma falsa sensação de proteção.
Além disso, lideranças tendem a promover profissionais que evitam reportar problemas, produzindo relatórios otimistas e mascarando gargalos reais.
Contexto Regulatório e Desafios no Brasil
No cenário brasileiro, pequenas e médias empresas enfrentam obstáculos particulares. A LGPD exige a presença de um DPO, mas o custo e a complexidade afetam diretamente a adoção de práticas adequadas.
Na indústria, a norma LOTO (Lockout/Tagout) demonstra a importância do bloqueio de fontes de energia em manutenções. Porém, sem uma cultura organizacional comprometida com a segurança, cadeados e etiquetas não passam de formalidades sem impacto real.
Estratégias de Transformação
Para quebrar o paradoxo, é essencial reposicionar a segurança como facilitadora e não como barreira. Isso requer:
- Comunicação clara pelo board sobre a relevância da segurança como diferencial competitivo.
- Integração de práticas de proteção desde o planejamento inicial de projetos.
- Estabelecimento de apoio político interno para evitar o isolamento dos profissionais de segurança.
- Medição e ajuste contínuo por meio de auditorias regulares, testes de penetração e análise de métricas.
Conclusão
O verdadeiro paradoxo da proteção está na crença de que mais investimento garante segurança. Sem uma processo cultural de valorização da segurança, os melhores sistemas se tornam meros adornos.
Empresas que entendem a segurança como parte intrínseca de sua cultura e estratégia alcançam resultados duradouros, promovendo inovação segura e protegendo seus colaboradores, clientes e reputação.
Referências
- https://redelideres.com/2025/02/20/o-paradoxo-da-seguranca-quando-o-orcamento-existe-mas-a-cultura-bloqueia-a-transformacao/
- https://www.periodicos.unc.br/index.php/prof/article/view/5797/2701
- https://www.erplan.com.br/noticias/estar-seguro-x-se-sentir-seguro-o-paradoxo-da-percepcao-e-da-realidade/
- https://revistadoaco.com.br/seguranca-industrial-sob-pressao-setor-enfrenta-entraves-na-protecao-ao-trabalhador-e-especialistas-apontam-solucoes/
- https://dataguide.com.br/por-que-as-pmes-brasileiras-nao-podem-mais-ignorar-a-seguranca-de-dados/
- https://www.rsdata.com.br/desmotivacao-dos-profissionais-de-sst-no-brasil/
- https://www.scunna.com/o-paradoxo-do-codigo-ai-eficiencia-na-criacao-complexidade-na-seguranca/
- https://periodicos.fgv.br/rae/article/view/92763/87248







