Parcerias Estratégicas: Compliance e a Prova de Futuro

Parcerias Estratégicas: Compliance e a Prova de Futuro

O cenário de compliance no Brasil alcançou um nível de maturidade institucional sem precedentes, mas as equipes ainda enfrentam desafios crescentes. Em 2026, é imperativo não apenas manter a efetividade, mas também demonstrar valor estratégico para garantir a sustentabilidade do programa.

Dados recentes revelam que 64% das empresas manterão o tamanho de suas equipes de compliance, enquanto apenas 30,7% planejam expandir o time. Essa realidade impõe uma pressão crescente sobre equipes pequenas e exige soluções inovadoras para gerar resultados tangíveis.

Expansão do Escopo e Paradoxo Operacional

Com um escopo cada vez mais amplo, profissionais de compliance acumulam tarefas que vão além do tradicional canal de denúncias. Muitos executam até 20 atividades simultâneas, o que cria um paradoxo operacional de eficiência versus sobrecarga. A ausência de métricas consistentes e a baixa frequência de auditorias internas geram uma falsa sensação de maturidade, comprometendo a capacidade de antecipar riscos.

  • Gestão de Riscos: 58,1% das equipes acumulam essa responsabilidade.
  • Controles Internos: 46,5% respondem por esse pilar.
  • Privacidade de Dados (LGPD): 38,7% ampliaram o foco.
  • Auditoria Interna e Jurídico: 21,7% e 14,7%, respectivamente.

Além desse cenário, aplicar a gestão de riscos em ambiente instável tornou-se prioridade, uma vez que fatores macroeconômicos e geopolíticos impactam diretamente o cumprimento das normas e a reputação corporativa.

Parcerias Estratégicas como Solução Transformadora

Para superar essas limitações, a criação de parcerias estratégicas com TI, RH e Jurídico é fundamental. A integração entre áreas permite automatizar processos, compartilhar dados e criar uma visão holística dos riscos, tornando o compliance mais proativo e alinhado ao negócio.

  • Fortalecer laços com TI para automação e monitoramento contínuo.
  • Alinhar RH para gestão de riscos psicossociais e treinamentos.
  • Integrar o Jurídico na revisão de políticas e contratos.
  • Estruturar clusters de impacto para foco e mensuração de resultados.

Ao organizar as atividades em clusters integrados de Prevenção, Detecção e Remediação, equipes enxutas ganham escala e clareza para demonstrar resultados, justificando investimentos futuros.

Cenário Regulatório para 2026

As mudanças regulatórias previstas para 2026 elevam ainda mais a complexidade do compliance: o Marco Legal da IA, a Lei de Cibersegurança e o endurecimento da LGPD na fiscalização exigem programas robustos e adaptáveis.

Além disso, a reforma tributária e os relatórios de sustentabilidade IFRS S1/S2 impõem rigor na apresentação de evidências, reforçando a importância de um compliance estratégico e preditivo, capaz de responder a auditorias externas e contratuais com eficiência.

Tecnologia, IA e GRC Integrado

Atualmente, 84% das empresas utilizam soluções digitais em compliance, mas apenas 33% implementaram IA de forma efetiva. A fragmentação de dados ainda impede análises preditivas e um GRC totalmente integrado e automatizado, reduzindo a capacidade de resposta rápida a incidentes.

Investir em governança de IA e em ferramentas que promovam explicabilidade e resiliência operacional é essencial para fortalecer a credibilidade do programa e antecipar riscos emergentes, como cibersegurança e ESG na cadeia de fornecedores.

Estudo de Caso: Be.Aliant na Vanguarda da Integração

A Be.Aliant, resultado da união entre Aliant e Be Compliance, exemplifica essa abordagem integrada. Com presença em 70 países e parcerias sólidas, a empresa implementou um programa efetivo de compliance baseado em clusters, promovendo automação e métricas claras.

Por meio de alianças com TI e Jurídico, a Be.Aliant conseguiu reduzir em 40% o tempo gasto em tarefas manuais, direcionando a equipe para análises estratégicas e elevando o índice de satisfação dos gestores internos.

Conclusão: Compliance como Motor Estratégico

Em um ambiente de recursos limitados e riscos crescentes, as parcerias internas são a chave para transformar o compliance em um verdadeiro motor estratégico. A união entre áreas gera sinergia, otimiza processos e fortalece a capacidade de resposta.

Ao alinhar tecnologia, governança e cultura organizacional, as empresas garantem não apenas a conformidade, mas também a prova de futuro para suas operações, tornando o compliance um diferencial competitivo duradouro.

Marcos Vinicius

Sobre o Autor: Marcos Vinicius

Marcos Vinicius atua como autor no LucroMais, desenvolvendo artigos sobre planejamento financeiro, controle de gastos e construção de estabilidade financeira sustentável.