Em meio a desafios ambientais, sociais e climáticos, a construção de um futuro sustentável exige ações coordenadas e engajamento de toda a sociedade. Neste artigo, exploramos três eixos fundamentais para fortalecer a resiliência de ecossistemas, comunidades e da economia brasileira. Cada estratégia apresentada aqui é sustentada por iniciativas recentes, metas ambiciosas e lições aprendidas ao longo da última década. Convidamos você a descobrir como a agenda de proteção pode inspirar transformações concretas e coletivas.
Eixo 1: Recuperação Pós-Desastre no Rio Doce
Há dez anos, o rompimento da barragem de Fundão em Mariana (MG) chocou o país. Foi um dos maiores desastres ambientais do Brasil, com impactos socioambientais de longo alcance. Desde então, governos, instituições e comunidades uniram esforços para devolver saúde ao rio, restaurar matas ciliares e apoiar populações afetadas.
Em novembro de 2024, foi homologado o Novo Acordo do Rio Doce, um marco regulatório que integra medidas de proteção e recuperação em toda a bacia. As políticas combinam investimentos em saneamento, saúde pública e inclusão social, gerando resultados progressivos e mensuráveis.
Entre as iniciativas ambientais', destacam-se programas de monitoramento e criação de áreas protegidas que garantem a conservação de ecossistemas costeiros e marinhos. Veja alguns investimentos já em curso:
- Área de Proteção Ambiental da Foz do Rio Doce: 45 mil hectares no Espírito Santo para conservação de espécies ameaçadas.
- PMQQS (Monitoramento Quali-Quantitativo): dados em tempo real sobre qualidade da água desde 2017.
- PMBA (Monitoramento da Biodiversidade Aquática): maior mapeamento ambiental do país, abrangendo desde Minas Gerais ao sul da Bahia.
Além da proteção ambiental, o Acordo apoia a reconstrução de redes de saúde em toda a região. Entre 2025 e 2026, 20 Unidades Básicas de Saúde e 10 Centros de Atenção Psicossocial serão entregues, beneficiando diretamente milhares de pessoas.
Confira os principais investimentos em saúde e inclusão social:
- Construção e reforma de 51 UBS, 34 CAPS, 8 Policlínicas e 11 UPAs.
- Aquisição de 245 veículos e ambulâncias para atendimento de urgência e emergências.
- Criação de três Centros de Referência em Exposição a Substâncias Químicas, com R$ 30 milhões em fase inicial.
- R$ 7,8 bilhões para garantia de direitos e segurança alimentar de povos tradicionais.
Essas iniciativas reforçam a importância da recuperação social como pilar para a reconstrução de territórios resilientes, onde ecologia e comunidade se fortalecem mutuamente.
Eixo 2: Estratégia Nacional de Biodiversidade
No dia 3 de junho de 2025, o presidente sancionou a nova Estratégia e Plano de Ação Nacional para a Biodiversidade (Epanb), a primeira revisão desde 2017. O instrumento está alinhado ao Marco Global de Kunming-Montreal e às diretrizes da Convenção sobre Diversidade Biológica.
A Epanb articula 25 metas nacionais propostas pela Conabio, distribuídas em temas como conservação, uso sustentável e monitoramento. Essas metas refletem o compromisso do Brasil em promover a promoção de bioeconomia e atividades produtivas sustentáveis, garantindo benefícios sociais e econômicos.
Entre os objetivos principais:
- Meta 1: redução da perda de áreas importantes para a biodiversidade por meio de planejamento espacial terrestre e marinho.
- Meta 2 e Meta 3: restauração, conservação e manejo de ecossistemas degradados.
- Demais metas: deter extinções, controlar espécies invasoras e reduzir poluição.
Para cumprir a Meta Territorial, o país se comprometeu a conservar pelo menos 30% de cada bioma, apoiando a integração de Unidades de Conservação, Terras Indígenas e áreas privadas. Essa rede deve ser ecologicamente representativa e bem conectada, promovendo corredores de vida selvagem e estabilidade ambiental.
A Epanb também fortalece a articulação com outras políticas, como o Plano Nacional de Recuperação de Vegetação Nativa (Planaveg), que visa restaurar 12 milhões de hectares até 2030, e o Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa), com foco no desenvolvimento local.
O monitoramento da implementação será coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente, em parceria com IBGE e Ipea, com relatórios nacionais periódicos enviados à CDB. Municípios, estados e o Distrito Federal receberão orientação para desenvolver planos alinhados à estratégia federal.
Eixo 3: Metas Climáticas e Sustentabilidade Fiscal
O Brasil assumiu compromissos climáticos ambiciosos para contribuir no combate às mudanças globais. Até 2030, o país pretende reduzir emissões de gases de efeito estufa em pelo menos 59%, e alcançar emissões líquidas zero até 2050.
A transição para uma economia de baixo carbono exige reformas fiscais que estimulem investimentos verdes e desincentivem atividades poluentes. Políticas de preço de carbono, subsídios a energias renováveis e incentivos à agropecuária regenerativa são ferramentas essenciais nesse processo.
Principais compromissos climáticos:
Para garantir a sustentabilidade fiscal, é vital equilibrar arrecadação e investimentos. Reformas tributárias que incentivem a economia verde e o pagamento por serviços ambientais podem gerar novas fontes de receita, impulsionando a execução de projetos socioambientais.
A adoção de instrumentos financeiros inovadores, como títulos verdes e fundos de compensação de carbono, também pode fortalecer o financiamento de iniciativas locais. Dessa forma, comunidades rurais e urbanas têm a oportunidade de participar diretamente da construção de um futuro resiliente.
Construindo um Futuro Coletivo
As estratégias apresentadas revelam uma visão integrada de proteção ambiental, justiça social e prosperidade econômica. A recuperação do Rio Doce, a nova Epanb e os compromissos climáticos demonstram que é possível alinhar metas locais a agendas globais, promovendo sinergias e compartilhando responsabilidades.
O engajamento de toda a sociedade é fundamental. Governos, empresas, organizações não governamentais e cidadãos devem atuar de forma colaborativa, respeitando saberes tradicionais e incentivando inovações tecnológicas.
Cada ação, por menor que pareça, contribui para a consolidação de territórios mais saudáveis e resilientes. Seja apoiando projetos de restauração, adotando práticas sustentáveis no dia a dia ou cobrando políticas públicas eficazes, todos têm um papel vital.
Ao investir em educação ambiental e participação comunitária, garantimos que as próximas gerações herdem não apenas um patrimônio natural preservado, mas também uma sociedade consciente de seu papel na manutenção da vida. Esse é o legado que podemos construir hoje: um futuro onde a proteção e o desenvolvimento caminham juntos.
Referências
- https://www.gov.br/secom/pt-br/assuntos/noticias/2025/11/governo-do-brasil-consolida-acoes-de-saude-e-recuperacao-ambiental-dez-anos-apos-o-rompimento-da-barragem-de-fundao
- https://www.gov.br/mma/pt-br/noticias/brasil-lanca-nova-estrategia-para-proteger-biodiversidade
- https://www.sosma.org.br/noticias/nota-publica-ucs-protecao-integral
- https://lacerdadiniz.com.br/decreto-no-12-673-2025/
- https://www.worldbank.org/pt/news/press-release/2025/06/26/brazil-world-bank-report-unveils-strategies-fiscal-environmental-sustainability
- https://ibremma.org.br/brasil-apresenta-avancos-historicos-na-protecao-ambiental-e-reducao-do-desmatamento-na-cop30-2025/
- https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000393636_por
- https://www.fecomercio.com.br/noticia/ajustes-no-projeto-podem-definir-rumos-do-licenciamento-ambiental-e-da-agenda-socioambiental-no-pais







